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  • izza79

Promoção de saúde: de quem é a responsabilidade?

Talvez nunca antes a população tenha ouvido falar tanto em prevenção de doenças, autocuidado, e hábitos para promover a saúde. 

Mas por que somente em tempos de pandemia, a informação de que hábitos saudáveis são capazes de prevenir algumas doenças e promover a saúde chega até a população?

Em 1986 ocorreu a primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, momento em que foi divulgada a famosa Carta de Ottawa, contendo a definição de promoção da saúde como: "o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo".

A promoção da saúde é o processo que permite às pessoas aumentar o controle e melhorar sua saúde

O conceito traz também a informação de que:

a saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como o objetivo de viver

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a saúde é um conceito positivo que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Portanto, a promoção da saúde não é apenas responsabilidade do setor da saúde, mas vai além dos estilos de vida saudáveis em direção de um bem-estar global.

A Promoção da Saúde, ainda segundo a Carta de Ottawa, abrange cinco importantes áreas de atuação: 

- capacitação da comunidade,

- desenvolvimento de habilidade individuais e coletivas, 

- criação de ambientes saudáveis, 

- implementação de políticas públicas saudáveis,

- reorientação dos serviços de saúde.

Ok, o conceito está claro, é bonito, e poderia ser prático. 

Mas vamos lá... 

Por que não há capacitação da comunidade, nem mesmo a implantação de políticas públicas para a criação de ambientes saudáveis?

Seria importantíssimo que a população tivesse acesso à informação, e estímulo ao longo do tempo, para desenvolver hábitos saudáveis capazes de fomentar o autocuidado e a responsabilidade com a própria saúde. 

Mas por que isso não é estimulado durante o nosso desenvolvimento em casa, nas escolas, no trabalho, na comunidade, e nos círculos sociais que frequentamos?

Será que promover a saúde, de fato, nunca foi visto como um bom negócio? Para quem? 

Ainda de acordo com a OMS, a saúde vai além do foco no comportamento individual, e vai em direção a uma ampla gama de intervenções sociais e ambientais destinadas a beneficiar e proteger a saúde e a qualidade de vida das pessoas, abordando e prevenindo os fatores de risco à saúde, e não apenas concentrando-se no tratamento e na cura”.

Para que o autocuidado realmente seja uma responsabilidade individual, deveríamos ter agentes e canais que minimamente orientassem, por meio da educação em saúde, em diversos ambientes. Deveríamos disponibilizar educação de cuidados com a saúde nas escolas, fomentar isso nos locais de trabalho e estimular também na comunidade. Assim poderíamos ter uma melhor gestão de saúde populacional, influenciada pelo cuidado e responsabilidade individual da própria população. 


Assim sendo, haveria convergência com o conceito de promoção da saúde, que permite às pessoas aumentarem o controle e melhorarem a sua saúde. 

Para mim, essa é uma relação de grande potencialidade de ganho global, ainda pouquíssimo explorada. 

E para você, qual a sua visão? Por favor, contribua com a sua opinião aqui nos comentários. 

E, cuide-se!


Izaltina Adão - Mestra em Gestão de Saúde e Competitividade pela FGV-SP

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